11 de jun de 2016

Sempre no alvo.


Porque era para ser tão simples: e tudo viria ao encontro depois de andarmos o caminho justo. Mas a inabilidade afetiva foi deixando a grama virar mato, a ponte ruir, o asfalto afundar, as estradas cobrirem-se de ervas daninhas. Nossos passos desviando dos insetos até não poderem mais seguir. E ficamos a um palmo um do Outro. A um quarto de hora de uma vida toda. A um olhar arrependido. Nós nos víamos e as mãos não alcançavam mais. O pequeno abismo ainda era maior que nossas pernas. Fomos lentos em nossa saudade:

A vontade procrastinou até que, no último minuto, era tarde.

Marla de Queiroz

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